Pontos de Inflexão — Guia Completo
Um ponto de inflexão é um ponto do gráfico de \(y=f(x)\) onde há mudança de concavidade — de côncavo para cima para côncavo para baixo, ou vice-versa. A ferramenta principal para detectá-los é a segunda derivada.
1) Definição e critérios
Definição (concavidade): Dizemos que \(f\) é côncava para cima em um intervalo quando \(f”(x)>0\) nesse intervalo, e côncava para baixo quando \(f”(x)<0\).
Critério prático com \(f”\): se \(f”\) muda de sinal em \(a\) (e \(f\) é contínua em \(a\)), então \((a,f(a))\) é um ponto de inflexão. A condição \(f”(a)=0\) é necessária em muitos casos, mas não é suficiente — é a mudança de sinal que garante a inflexão.
Obs.: Mesmo se \(f”(a)\) não existir, pode haver inflexão (ex.: \(f(x)=\sqrt[3]{x}\)); o que importa é a troca de concavidade com \(f\) contínua.
2) Passo a passo para detectar inflexões
- Calcule \(f'(x)\) e \(f”(x)\) no domínio de \(f\).
- Resolva \(f”(x)=0\) e liste também os pontos onde \(f”\) não existe.
- Monte a tabela de sinais de \(f”\) nos intervalos determinados.
- Se o sinal de \(f”\) muda em \(x=a\) e \(f\) é contínua em \(a\), então \((a,f(a))\) é um ponto de inflexão.
3) Exemplo resolvido
Exemplo — \(f(x)=x^3-6x^2+9x-3\)
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Derivadas:
Candidatos: \(f”(x)=0 \Rightarrow 6x-12=0 \Rightarrow x=2\).
Tabela de sinais de \(f”\):
Intervalo | \(f”(x)\) | Concavidade |
---|---|---|
\((-\infty,2)\) | − | Para baixo |
\(x=2\) | 0 | troca |
\((2,\infty)\) | + | Para cima |
Há mudança de concavidade em \(x=2\) ⇒ ponto de inflexão.
4) Mais exemplos rápidos
- \(f(x)=x^3\): \(f”(x)=6x\) muda de sinal em \(x=0\) ⇒ inflexão em \((0,0)\).
- \(f(x)=x^4\): \(f”(x)=12x^2\ge 0\) (sem troca de sinal) ⇒ sem inflexão.
- \(f(x)=\sqrt[3]{x}\): \(f”(x)=-\dfrac{2}{9}x^{-5/3}\) (muda de sinal em \(0\); \(f\) contínua) ⇒ inflexão em \((0,0)\).
5) Exercícios propostos (com soluções)
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\(f(x)=x^3-3x\). Determine todos os pontos de inflexão (se existirem).
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\[ f”(x)=6x=0 \Rightarrow x=0. \]\(f”\) muda de sinal em \(0\) ⇒ \(\boxed{(0,0)}\) é ponto de inflexão.
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\(f(x)=x^4\). Verifique se há inflexão.
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\[ f”(x)=12x^2\ge 0 \ \forall x. \]Não há troca de concavidade ⇒ não há ponto de inflexão.
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\(f(x)=\dfrac{x}{x^2+1}\). Encontre os pontos de inflexão.
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\[ f”(x)=\frac{2x(x^2-3)}{(x^2+1)^3}. \]Denominador \(>0\). Zeros do numerador: \(x\in\{0,\pm\sqrt3\}\). Há troca de sinal em cada um.
\[ f(0)=0,\quad f(\pm\sqrt3)=\pm\frac{\sqrt3}{4}. \]Logo, \(\boxed{(0,0),\ (\sqrt3,\tfrac{\sqrt3}{4}),\ (-\sqrt3,-\tfrac{\sqrt3}{4})}\).
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\(f(x)=e^{x}\). Verifique se há inflexão.
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\[ f”(x)=e^x>0 \ \forall x. \]Sem troca de concavidade ⇒ não há ponto de inflexão.
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\(f(x)=\ln x\) (domínio \(x>0\)). Verifique se há inflexão.
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\[ f”(x)=-\frac{1}{x^2}<0 \ \forall x>0. \]Sem troca de concavidade ⇒ não há inflexão.
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\(f(x)=\sqrt[3]{x}\). Classifique \(x=0\).
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\[ f”(x)=-\frac{2}{9}x^{-5/3} \]Para \(x<0\), \(f”(x)>0\); para \(x>0\), \(f”(x)<0\). Há troca de concavidade em \(0\) (com \(f\) contínua) ⇒ \(\boxed{(0,0)}\) é ponto de inflexão.
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\(f(x)=x^5\). Verifique se há inflexão em \(x=0\).
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\[ f”(x)=20x^3 \text{ muda de sinal em } 0 \Rightarrow \boxed{(0,0)} \text{ é inflexão}. \] -
\(f(x)=x^2e^{-x}\). Localize e dê as coordenadas dos pontos de inflexão.
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\[ f'(x)=e^{-x}(2x-x^2),\qquad f”(x)=e^{-x}(x^2-4x+2). \]Como \(e^{-x}>0\), o sinal de \(f”\) é o do quadrático \(x^2-4x+2\). Suas raízes são \(x=2\pm\sqrt2\) e há troca de sinal em ambas.
\[ f(2\pm\sqrt2)=(2\pm\sqrt2)^2\,e^{-(2\pm\sqrt2)}. \]Logo, há inflexões em \(\boxed{\bigl(2-\sqrt2,\ (2-\sqrt2)^2 e^{-(2-\sqrt2)}\bigr)}\) e \(\boxed{\bigl(2+\sqrt2,\ (2+\sqrt2)^2 e^{-(2+\sqrt2)}\bigr)}\).
6) Resumo rápido
Regra prática: procure onde \(f”=0\) ou \(f”\) não existe, e teste a mudança de sinal de \(f”\). Se mudar e \(f\) for contínua ⇒ ponto de inflexão.
Cuidado: \(f”(a)=0\) sem troca de sinal não garante inflexão (ex.: \(x^4\)).